“A gente cuida da reserva para o governo, em troca de nada”, diz extrativista do Quilombo Pedras Negras em Rondônia.
“Eu perdi cinco mil pés de urucum. O fogo levou tudo”, lamenta um morador que não teve apoio do poder público.
Francisco Costa – Voz da Terra – Em 2024, a comunidade quilombola Pedras Negras, localizada no município de São Francisco do Guaporé, Rondônia, registrou níveis alarmantes de poluição por fumaça devido às queimadas na região. A concentração de material particulado fino (PM2.5) atingiu uma média de 44 µg/m³, ultrapassando em 193% o limite de 15 µg/m³ estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Mas as queimadas comprometeram essas atividades econômicas em 2024. A densa fumaça impediu a aterrissagem de aviões com turistas, resultando em um prejuízo para os proprietários de pousadas estimado em mais de R$ 232 mil devido à perda de alimentos e bebidas estocadas para a temporada.
Além do impacto econômico, a saúde dos moradores foi severamente afetada. A infraestrutura de assistência médica limitada da comunidade, dificultou o atendimento adequado durante esse período crítico.
O município de São Francisco do Guaporé, onde se situa Pedras Negras, possui uma população de 16.286 habitantes e tem sua economia fortemente baseada na pecuária.
A região do Vale do Guaporé, além de sua importância econômica, é reconhecida por sua riqueza ambiental e cultural, abrigando diversas comunidades tradicionais e quilombolas.